"Cenário político pós eleição americana"

Falar sobre o cenário político pós eleição americana hoje é um grande desafio porque o que a gente sempre espera é que os Estados Unidos continue a ser uma referência de política interna e política internacional, contando com uma estabilidade vinda principalmente de lá norteando toda a política mundial. Como eu sempre brinco com os nossos alunos, todo mundo acorda já de manhã com uma certa perspectiva do que vai fazer no dia, na semana, no mês. Com os alunos eu sempre falo, vocês pensem no semestre, no ano, nos 04 anos de faculdade e no mundo a mesma coisa. Os governos buscam essa estabilidade internacional. Buscam-se essa estabilidade porque infelizmente nós como raça humana ainda não conseguimos nos livrar totalmente do flagelo da guerra e toda vez que a estabilidade não se manteve ou pelo menos não houve um consenso mínimo entre os governos, nós mergulhamos em períodos bastante conturbados que resultaram em conflitos bastante sangrentos, 1.ª guerra, 2.ª guerra e é aí que entra realmente os Estados Unidos. Desde 1919 o mundo passa por uma ordem, uma estabilidade das regras baseadas em princípios ocidentais, princípios norte-americanos, princípios liberais, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista social. Refiro-me ao capitalismo, ao livre mercado, à democracia e aos direitos humanos. Uma coisa que a gente não pode esquecer, democracia e direitos humanos andam par e passo. Não dá para ter direitos humanos sem democracia e vice versa e, portanto, esse conjunto de regras trouxe justamente essa estabilidade. Esse processo de construir consensos e consequentemente, os governos não teriam que se preparar para o pior, ou seja, a guerra e dedicar, lógico, os governos mais conscientes, dedicar os seus interesses, os seus recursos à prosperidade, à prosperidade das suas populações e na política norte-americana sempre houve uma construção de consensos básicos mínimos, que democratas ou republicanos não mudavam muito, principalmente na inserção internacional e na manutenção internacional dessa estabilidade. Então vem a eleição do ano passado, um outsider da política chacoalha completa e justamente a liberdade da estrutura política norte-americana que propiciou isso. Historicamente, tudo aquilo que se tentava impedir que acontecesse, aconteceu. Um populista chegou ao poder. E algo que a gente não esperava que estivesse acontecendo, um país como os Estados Unidos começar a ter traços na sua política bem parecidos com países em desenvolvimento, bastante parecido com o Brasil em que todo dia você tem que abrir o noticiário para saber o que está acontecendo, se tal pessoa está lá ou não. Eu desisti, por exemplo, de fazer qualquer apresentação porque realmente não sabia o que ia acontecer. Se tivesse preparado algo até ontem, 3.ª-feira, hoje talvez já não valeria mais. Nos Estados Unidos, se um político mente e é pego, ele mesmo toma a iniciativa de pedir demissão, não espera ser condenado e sai rápido, diferente de outros países. Isso já provocou uma série de mudanças muito grandes por lá. Senadores republicanos já estão pedindo que investigações mais sérias sejam feitas a cerca não só da atuação do General Flynn como dos seus assessores. Mentiras que a National Securit Agency, a famosa NSA teria já captado antes, mas que está vindo a público agora, que vários auxiliares do presidente Trump ti- veram extensas conversas telefônicas ou pessoais com oficiais da inteligência russa. Então tudo o que se vinha falando, que os republicanos diziam que era invenção da oposição, parecendo coisa de Brasil, está se comprovando e por isso mesmo que situação norte-americana já está hoje bastante fervorosa, para dizer assim, no mínimo. Na semana passada, antes do anúncio desses fatos, por exemplo, já se começou a lembrar da 25.ª emenda da Constituição norte-americana estabelecida em 1967. Fundamentalmente ela estabelece quais seriam os procedimentos até para remoção do presidente e sua seção 04 tem sido lembrada bastante, para fazer com que um eventual processo não se arraste por 06 a 08 meses, porque diferentemente aqui do Brasil e olha que nós copiamos o modelo deles, se a Câmara dos Deputados abrir um processo de impeachment, o presidente continua no poder. O exemplo máximo disso foi nos anos 90 quando o presidente Bill Clinton sofreu esse processo na câmara. Enviado o processo ao senado controlado pelos democratas, o processo foi arquivado e o presidente continuou no poder. Lógico que ele sofreu, não conseguiu muitas coisas que gostaria por causa disso mais continuou no poder. O problema é imaginar uma pessoa com o temperamento do presidente Trump no poder sofrendo um processo de impeachment.

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